Enquanto Nada Acontece
Enquanto Nada Acontece é uma pesquisa visual de longo prazo, desenvolvida pela repetição diária e pela atenção sustentada a gestos mínimos e microacontecimentos. Todos os dias, faço o mesmo caminho — levo os resíduos orgânicos até a composteira — e uso esse trajeto como um dispositivo de percepção para observar o que costuma passar despercebido.
Em vez de buscar momentos decisivos, o projeto se volta para o que quase não acontece: uma folha que se move levemente com o vento, insetos que cruzam o caminho, a luz que muda de forma imperceptível, a matéria orgânica que se transforma devagar. Essas observações são registradas em curtos filmes em Super 8 e em fotografias de Polaroid digital, evitando deliberadamente o espetáculo, a aceleração e o clímax narrativo.
O trabalho propõe um contragesto à lógica da produtividade constante e da saturação visual. Ao voltar ao mesmo percurso, aos mesmos gestos e às mesmas ferramentas, Enquanto Nada Acontece investiga como a repetição se torna um método para perceber a diferença — e como a própria atenção pode ser uma prática artística.
A pesquisa está diretamente ligada ao meu projeto poético Passeio pelo Méier, em que caminhar e repetir funcionam como ferramentas de escrita e de percepção. Nos dois casos, o trabalho se desdobra pela duração, pela insistência e pelo cuidado, deixando o sentido emergir do ordinário.
01A composteira







6 de outubro de 2026
02O que o caminho mostra



